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Tá tudo na mesma...


Oi, como vai?

Esse fim de semana me lembrei de você, amigo. Fui a uma festa por aqui, uma boate nova que abriu, quando você vier, talvez eu te leve. Já tinha um tempo que não ia em baladas, mas resolvi ir para dar uma variada e lá acabei fazendo aquela coisa de encostar em um canto e observar as pessoas, como nós sempre gostávamos de fazer quando você ainda morava por aqui.

Acredita que tudo ainda está do mesmo jeito? A boate até é nova, mas as pessoas não. São as mesmas pessoas, a mesma forçação de barra para aparentar o que não são, e a mesma preocupação com quantas pessoas vão pegar durante a noite, ou se estão ficando com a pessoa mais bonita da festa.

A sede por ficar louco de bebida ainda é a mesma, você precisava ver aquele cara pagando vexame de novo. O ruim de cidade pequena é isso, né? A gente sempre se lembra de coisas marcantes. Em um certo momento, eu parei de dançar e olhei toda a pista em um raio de 360º, e a grande maioria das pessoas que ali estavam faziam aquele olhar superior de sempre, vestiam aquela máscara do que elas não eram e tentavam, a todo custo, forçarem uma felicidade imensa - se afogando nas vodkas e cervejas já quentes naquela hora da madrugada.

Ah, lembra daquela pessoa que fez uma puta sacanagem comigo em uma balada uma vez? Ela estava lá, e adivinhe? Fazendo a mesma coisa que fez comigo com outro cara. É, não tem jeito, tem gente que tem falta de índole mesmo, não pecam em apenas uma situação isolada. Eu sorri, satisfeito, ainda bem que me livrei daquilo o quanto antes.

De todas as pessoas naquela pista, só algumas aproveitavam a festa como a gente aproveitava: dançando do jeito que queriam, sem nenhuma vergonha, nenhuma aparência para manter e ligando o velho e excelente FODA-SE para qualquer olhar torto por estarem dançando e se divertindo da forma mais despretensiosa possível. A gente nunca conseguiu seguir os “padrões” criados nas baladinhas, nosso lema sempre foi: ir e se divertir, pouco se lixando para as opiniões de quem estava a nossa volta.

Eu ainda consigo fazer isso, mas com você era mais divertido. A nossa amizade sempre teve aquela sintonia do conversar por olhar e se entender com apenas um sorriso de canto de boca. Meu ciclo por aqui está acabando, graças a Deus, não vejo a hora de ir embora e viver longe das aparências criadas. 

Quando eu chegar aí, vou bater na sua porta, naquele ritmo que já é o nosso código, e, você, não demore pra abrir, quero logo te abraçar, porque a saudade aqui já está apertada e eu quero selar essa nossa amizade tão especial. E do jeito que a gente sempre gostou, na nossa simplicidade, sem máscaras, brindando com as duas mãos: uma segurando a cerveja gelada e a outra com o dedo do meio levantado pra sociedade chatinha que nos cerca. 




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