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Quando acaba o combustível...


Chinelos, camisa e cordão, essas foram as três últimas coisas que coloquei em sua mala antes de entregá-la a você naquela noite. Estranhamente, juntar todos os seus objetos que já estavam aqui em casa e colocá-los em uma mala, que representava o nosso fim, fez com que eu me sentisse mais leve. É como se cada peça de roupa sua ou qualquer outro objeto que eu colocasse naquela mala, representasse quilos e mais quilos que já pesavam em cima de mim, e eu estava me livrando de todos eles.

Você não ficou muito tempo por aqui, nem na minha vida, nem na minha casa, nem nos meus sentimentos e nem na minha total certeza do que poderíamos ser um dia. Fomos intensos no início, feito dois adolescentes que agem por impulso com os hormônios à flor da pele. Hoje eu me pergunto: por que corremos? Talvez, se tivéssemos nos conhecido melhor antes de deixar tudo isso mais sério, podíamos ter evitado o desgaste de uma relação que passou como um furacão. Mas ninguém controla o coração, não é mesmo? E ele foi o nosso único fio condutor naquele início que parecia mágico e saído dos textos de amor que eu tanto escrevo.

Mas se teve uma coisa que eu aprendi com tudo isso o que tivemos é que, além de não adiantar correr com relações, eu valorizo muito minha liberdade, minha certeza de ir e vir, e valorizo, principalmente, maturidade. Infelizmente, você me tirou isso no nosso breve tempo juntos. Seu controle, ciúmes e cobranças desnecessárias foram fazendo com que um peso se amontoasse em cima de mim e fizesse com que o meu caminhar ficasse lento. Isso tudo fez com que eu me sentisse preso, sufocado, controlado, vigiado e insatisfeito.

Pra você parece que não, mas, pra mim, relacionamento bom é aquele onde as duas pessoas se amam tanto que a confiança faz com que as dúvidas não existam. Onde depois de uma sexta-feira de trabalho, eu saia para beber uma cerveja com meus amigos no barzinho da esquina e que a outra pessoa faça o mesmo, ou qualquer outra coisa, onde quer que ela esteja, e isso seja a coisa mais normal do mundo. Pra exemplificar mais ainda: relacionamento bom é aquele que você deixa a pessoa livre, e, mesmo assim, ela decide ficar. E de uma forma leve, gostosa, que faça um sorriso tímido aparecer no canto da boca quando uma música despretensiosa lembra o amado no meio de um dia comum.

Você foi especial pra caramba – de verdade! Você fez eu enxergar muitas coisas, me tornar mais forte e fez com que eu desse ainda mais valor para os meus princípios como ser humano, e foi através das suas atitudes, que muitas das vezes renderam discussões, que eu vi como eu sou persistente, como eu tenho certezas e como eu não deixo absolutamente nada passar por cima das coisas que me fazem feliz.

Compatibilidade de ideias, de formas de ver a vida e, até mesmo, de agir, nessa gostosa caminhada de nossa existência, é imprescindível para uma relação de sucesso.  A gente não deu, infelizmente... eu penso A, você pensa B... não estava tendo encaixe, sintonia  e nem leveza, que é combustível para o coração.

Eu espero que você encontre alguém que seja compatível com você, porque você merece alguém que te faça feliz. Mas não sou eu, não mesmo. Eu sou do time da leveza, dos que agem com certezas instantâneas e que sempre vão achar uma festa com amigos ou uma cerveja despretensiosa com eles a coisa mais normal do mundo – mesmo dentro de um relacionamento.

Afinal, namoro não é prisão e nem contrato! Namoro é amar de forma espontânea, sem cobranças. É sorrir em paz e respirar fundo sabendo que escolheu a pessoa certa. Qualquer dia, se quiser conversar, a gente marca alguma coisa – você me conta da sua vida e eu conto da minha, só para não perdermos o contato e não sermos aqueles “ex” que se xingam por aí. Nós nos respeitamos acima de tudo.

Mas, por enquanto, meu bem, eu te digo:

Adeus. É hora de voar! 




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