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Você não veio e eu pedi um café


Hoje você me fez chorar pela primeira vez, e isso dói, sabe? O primeiro choro por causa de alguém corta o coração como lâmina afiada. É como se todo o encanto de um conto de fadas fosse se desfazendo na sua mente e você vai sendo obrigado a encarar as coisas de formas muito realistas.

Eu não chorei pelo o que você falou, e nem por você não ter vindo. Eu chorei pela forma como você falou, é como se um filme tivesse passado na minha cabeça e eu tivesse sendo tratado mais uma vez da forma como todas as pessoas anteriores me trataram. Com descaso, de forma rude e sem valor, e da última vez que isso aconteceu eu prometi para mim mesmo que não iria aceitar mais esse tipo de tratamento. Eu encontrei o amor próprio.

Depois de um tempo e de muito amadurecimento a gente começa a querer não somente aquilo que nos faz feliz, nós começamos a querer aquilo que nós merecemos. Passadas muitas decepções e calos por conta das topadas da vida, eu sei exatamente o que eu mereço, e tudo o que eu recebo abaixo disso me faz ficar um pouco triste.

Eu posso ser esse cara durão e que pode parecer desprendido, mas a verdade é que eu sou e sempre serei o menino dos olhos brilhantes que precisa de carinho. Seja uma passada de mão na nuca, um olho no olho ou uma forma de falar respeitosa e gostosa de conversar.

Me desculpe se para você esse motivo pode parecer bobo para me fazer chorar, mas é porque qualquer coisa que me tire do sério mexe comigo. Com o tempo eu aprendi a ter calma e paz de espírito e tudo que quebre isso me desestabiliza.

Eu valorizo o abraço, o bom dia bem cedinho, a mensagem de saudades, o beijo e a companhia. Mas valorizo, principalmente, a minha e a nossa leveza. Amar em plumas é disparadamente melhor do que amar em pesos.

Eu ainda não sei exatamente o que vai ser da gente, mas hoje, e por hora, eu vim esfriar a cabeça na minha cafeteria predileta, pedi um café com muito ovomaltine e o estou tomando enquanto toca a trilha sonora do filme de Amélie Poulan, que tem o poder de me acalmar. A minha companhia enquanto escrevo esse texto, são as palavras, únicas que sempre me entenderam e para sempre me entenderão; sejam nos momentos de sorrisos, lágrimas, estresses ou de paz.




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